Rebelião termina com 60 mortos

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Um motim que durou 17 horas deixou 17 mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Essa rebelião já é o segundo episódio mais sangrento da história do sistema prisional brasileiro, atrás apenas do Massacre do Carandiru, em 1992, em que 111 detentos foram mortos pela Polícia Militar.

Segundo informações, o banho de sangue deste início de ano é resultado da rivalidade entre duas organizações criminosas que disputam o controle de atividades ilícitas na Região Amazônica: a Família do Norte (FDN) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Aliada ao Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, a FDN domina o tráfico de drogas e o interior das unidades prisionais do Amazonas.

Desde o segundo semestre de 2015, líderes da facção criminosa amazonense vêm sendo apontados como os principais suspeitos pela morte de integrantes do PCC, grupo que surgiu em São Paulo, mas já está presente em quase todas as unidades da federação.

Governo aluga contêiner

Os corpos dos presos vão ser guardados em um contêiner alugado pelo governo do estado, porque o Instituto Médico Legal (IML) não tem capacidade para receber todos os mortos. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que o contêiner vai permitir que os corpos sejam guardados em condições apropriadas até a conclusão dos exames que identificarão as vítimas e as causas das mortes.

Assim que a rebelião chegou ao fim e os primeiros corpos começaram a ser retirados do Compaj, parentes de presos foram ao IML em busca de informações. Os portões do instituto foram fechados para limitar o acesso a funcionários e policiais e um grande número de pessoas aguarda na rua.

 

Forte aliança com o CV
A Polícia Federal deu um duro golpe na facção Família do Norte (FDN) ao investir contra suas principais lideranças durante as investigações da operação La Muralla, deflagrada em novembro de 2015.
Ao longo de seis meses, agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Superintendência do Amazonas mapearam toda a estrutura da organização criminosa e cumpriram 127 mandados de prisão preventiva, 67 mandados de busca e apreensão, sete buscas em presídios estaduais, 68 medidas de sequestro de bens, além do bloqueio de ativos registrados em 173 CPFs e CNPJs ligados a FDN.

À época, em mensagens de texto interceptadas, a PF já acompanhava a ‘rixa’ entre integrantes da FDN e do PCC. Segundo o relatório final da La Muralla, diversas mensagens interceptadas “deixam claro que a FDN possui uma forte relação ou aliança com o Comando Vermelho-CV, facção criminosa do Estado do Rio de Janeiro, e uma espécie de rixa com os membros da facção Primeiro Comando da Capital– PCC”.

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