Popularidade na lama: Max, teu passado te condena!

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O deputado estadual Max Lemos acumula processo por crimes eleitorais e improbidade administrativa/Reprodução

Ter um passado limpo não é para todo político. O que dirá quando sua trajetória é marcada por suspeitas, esquemas políticos sujos e mentiras, muitas aliás. O deputado Max Lemos (MDB) figura nessa lista negra onde o que não faltam são processos por improbidade administrativa e desvio de conduta. Tudo para ludibriar o eleitor. Esse, sem sombra de dúvidas, a maior vítima das falcatruas montadas pelos colarinhos brancos da maldade.
A carreira política de Max começou pelas mãos do então prefeito de Nova Iguaçu (1993-1996), Altamir Gomes. Nomeado para chefiar a Secretaria de Transportes, deixo o cargo coberto por uma sombra suspeita de diversas irregularidades.

‘Invasor de território’
De acordo com informações dos bastidores da política, Max já estaria trabalhando para retornar a Nova Iguaçu, onde sonha alto: conseguir a cadeira de prefeito, mesmo sendo chamado de ‘invasor de território’. Ele planeja dar adeus ao MDB e bater na porta do PDT. Para isso acontecer, ainda segundo fontes, o parlamentar não estaria medindo escrúpulos para pagar a peso de ouro apoio de
políticos da região, como o ex-vereador Carlinhos Presidente, incorrendo num suposto crime eleitoral por ‘costurar’ acordos antes do prazo determinado pela Justiça Eleitoral.

‘Nome sujo’ na Justiça Eleitoral
Em 2014, Max, que não concorreu às eleições para prefeito naquele ano, teve ajuízado ação pela prática de crime eleitoral por ter explorado símbolos e nomes de órgãos públicos para promover o governador Luiz Fernando Pezão e os candidatos a deputado Jorge Picciani e o filho Leonardo Picciani.
Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, o homem de confiança do clã Picciani distribuiu gratuitamente uma revista exaltando os candidatos e atribuindo a eles realizações de infraestrutura e projetos em Queimados. O órgão propôs que Max fosse multado em R$ R$ 25.473 ou ao pagamento imediato de 10 cestas básicas a uma instituição de caridade a ser definida pelo TRE-RJ.
Em fevereiro deste ano, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou uma ação civil pública contra Max por improbidade administrativa, por publicar matérias autopromocionais no site oficial de Queimados. O mesmo caso também tramitou na Justiça Eleitoral. A condenação resultou no pagamento dos danos causados, além das sanções previstas na lei de improbidade, incluindo
perda do cargo público e suspensão dos direitos políticos de três até oito anos.

Padrinho condenado por corrupção
Picciani, o padrinho político de Max, foi condenado em março deste ano a 21 anos de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, ao lado dos também ex-deputados Paulo Melo (12 anos e 10 meses) e Edson Albertassi (13 anos e 4 meses), investigados na Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.
Foi o cacique do MDB que articulou apoio para que o queridinho Max Lemos assumisse a Prefeitura de Queimados, onde cumpriu dois mandados entre 2018 e 2016.

Aumento patrimonial acima da valorização do ouro
O então prefeito Max Lemos foi um dos 20 chefes do Executivo fluminenses que, entre 2008 e 2012, tiveram crescimento patrimonial acima da valorização do grama do ouro no período (122%). De acordo com reportagem do jornal O Globo na série ‘O que eles fazem com seu voto’, publicada em março de 2015, o levantamento só considerou os bens de 56 dos 65 prefeitos do estado que estão sob investigação ou sendo processados.
Max saiu de R$ 250,339 mil em bens em 2008 para R$ 1,112 milhão em 2012 (344%). No topo do ranking estava o então prefeito de Sumidouro, na Região Serrana, Juarez Gonçalves Corguinha (PMDB), cujo patrimônio cresceu 2.473,9%.

“Quem se mistura com porcos, farelo come”
O velho ditado cai como uma luva na carreira política de Max Lemos. Além da família Picciani, o político também tem na lista suja nomes como Carlinhos da Manilha (que está preso por corrupção) e um outro aliado conhecido como Joãozito. Foi ele quem pagou o pato pelas falcatruas do ex-prefeito de Queimados.


Na próxima reportagem, o Hora H vai falar do esquema de corrupção que arrombou os cofres do INSS. A ex-advogada Jorgina de Freitas, a maior fraudadora do órgão chefiou uma que desviou R$ 2 bilhões em benefícios. Após a descoberta das fraudes, ela ficou foragida, mas foi presa na Costa Rica. Para não ser reconhecida pela polícia, a criminosa fez várias cirurgias plásticas.

Reportagem:

Antonio Carlos