Polícia Civil e MP pegam quatro suspeitos de investir em imóveis da milícia

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José Bezerra, Renato Siqueira e Rafael (abaixo) tiveram a prisão preventiva decretada por venderem apartamentos dos prédios que desabaram/Reprodução

Segundo investigações, um dos alvos movimentou R$ 25 milhões em quatro anos, Em abril, desabamento de edifícios ilegais na Muzema, na Zona Oeste do Rio, matou 24 moradores

Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) cumpriu hoje (16), 14 dos 17 mandados de prisão temporária que foram expedidos contra a quadrilha de milicianos acusada de exploração imobiliária clandestina em área de Mata Atlântica, na Zona Oeste do Rio. Cerca de 7 mil metros quadrados de mata foram desmatados para a construção de prédios. Segundo o MP, os imóveis não ofereciam condições mínimas de segurança aos moradores.
Dois deles, de cinco andares cada, que ficavam no Condomínio Figueiras do Itanhangá, na Muzema, desabaram em 12 de abril, deixando 24 mortos. O desmoronamento ocorreu dias depois de uma forte chuva. No cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão foram encontradas ainda seis armas, munições, e R$ 1,5 milhão em dinheiro e cheque, além de documentação que comprova transações imobiliárias.

Preso em casa
Um dos alvos principais da operação era Bruno Cancella, que foi preso em casa, na Freguesia, em Jacarepaguá. Segundo as investigações, ele movimentou R$ 24,9 milhões para a milícia em quatro anos. A mulher dele, Letícia Champion Ballalai Cancella, também foi denunciada. Ela trabalha no setor de IPTU da Prefeitura do Rio e é suspeita de ter facilitado os registros dos imóveis no cadastro do imposto. A Justiça não concedeu a prisão dela.
Dois suspeitos de envolvimento na venda dos apartamentos foram presos, e um está foragido. José Bezerra de Lima, o Zé do Rolo: o homem apontado como construtor dos dois prédios segue foragido. Testemunhas o reconheceram. Renato Siqueira Ribeiro: preso na última sexta-feira em Nova Friburgo, na Região Serrana. Segundo a polícia, ele mudou de residência diversas vezes, já com investigadores em seu rastro.

Empresas suspensas
Os 17 mandados de prisão da Operação Muzema foram expedidos pela 33ª Vara Criminal, que também deferiu a suspensão cautelar das atividades de duas empresas: BLX Serviço de Engenharia Ltda; Manuel Containers Andaimes Rio Eireli – Rio Containers. Os presos já identificados são: Breno Boffelli de Souza, de 39 anos; preso no Recreio dos Bandeirantes; Bruno Pupe Cancella, 38; preso na Freguesia, em Jacarepaguá; Fernando Vieira de Brito, 46, preso no Piauí; Leonardo Igrejas Esteves Borges, 40; preso em casa, na Barra da Tijuca; Manuel Henriques da Silva Júnior, conhecido como Seu Silva, Silva Júnior e Português, 79; conhecido como Seu Silva, Silva Júnior e Português Na casa dele, em Jacarepaguá,m foram apreendidos um cheque de R$ 1 milhão, R$ 50 mil em espécie e uma espingarda. Outros oito não haviam sido identificados até o fechamento desta reportagem.
O MP afirma que Manuel é um dos “sócios empreendedores” da milícia que controla a região. Na denúncia do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, os promotores asseguram que Manuel e Bruno Pupe Cancella desempenharam papel de proeminência na quadrilha.

Organização criminosa
O Ministério Público denunciou os 27 suspeitos pelos seguintes crimes: organização criminosa; ocupação; loteamento; construção, venda, locação e financiamento ilegais de imóveis; ligações clandestinas de água e energia elétrica; corrupção de agentes públicos.
As investigações começaram em 2014, a partir de uma denúncia de desmatamento e ocupação irregular. Desde então, 7 mil metros quadrados de Mata Atlântica foram derrubados.

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