PM reforça policiamento em área de Ecko na Zona Oeste

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Corpo de miliciano enterrado ontem no cemitério Jardim da Saudade/Reprodução 

A Polícia Militar reforçou o policiamento no bairro Paciência, área de atuação do miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto no último sábado após ser capturado na comunidade das Três Pontes, no bairro da Zona Oeste do Rio. O corpo do bandido foi enterrado às 11h30 de ontem no cemitério Jardim da Saudade.

”Já estamos com reforço do policiamento em toda a região de atuação do criminoso, na Zona Oeste do Rio. Equipes do 2° Comando de Policiamento de Área (CPA) e das Rondas Especiais e Controle de Multidões (RECOM) atuam na região”, informou ontem a assessoria da PM.

Um dos mais procurados do Brasil
O criminoso era o mais procurado do Rio de Janeiro e um dos mais procurados do Brasil. Na operação, que contou com 21 policiais, Ecko foi baleado no peito depois de resistir à prisão e tentar fugir da casa onde estava com a mulher e os filhos.
Policiais relataram que Ecko ia ao endereço onde foi capturado com alguma frequência, de três a quatro vezes por semana. Ele foi monitorado durante seis meses pela polícia.

Polícia apreende joia que seria dada por Ecko a sua mulher no dia dos namorados/Divulgação

Ecko pagava agenciadores para promover orgias
Depoimentos prestados em diferentes investigações revelam detalhes sobre a personalidade de Ecko. Uma garota de programa gaúcha contou à polícia que veio para o Rio exclusivamente para prestar serviços sexuais para o chefão e seus comparsas.

De acordo com ela, Ecko contratava agenciadores para promover orgias com diversas mulheres trazidas de outros estados. Elas se hospedam num apart-hotel na Barra da Tijuca e só saiam para os encontros, que podiam custar até R$ 2 mil por noite, dependendo da quantidade de homens com quem cada mulher teria de se relacionar. As festas aconteciam em sítios em áreas afastadas de Santa Cruz ou Itaguaí.

Ecko foi preso algumas horas depois de ter ido visitar a mulher, pelo Dia dos Namorados, na comunidade das Três Pontes, em Paciência, Zona Oeste do Rio. Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) apreenderam uma joia que seria dada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, a sua mulher no dia dos namorados.

Perfil diferente do irmão
O miliciano tinha um perfil bem diferente do seu irmão, Carlinhos Três Pontes. Enquanto o antecessor, cujo reinado durou três anos, era um chefe espalhafatoso, que deixava ser bastante filmado e fotografado, frequentava bailes, tinha um time de futebol amador e ia aos campeonatos, onde era homenageado na beira do campo, Ecko tinha um perfil mais discreto. Mais reservado, não costumava aparecer em público e, até pouco tempo, a polícia só tinha acesso a duas fotos do criminoso: a 3×4 tirada para sua identidade e uma em que aparece abraçado a uma mulher, durante uma festa.

Irmão será transferido para presídio federal
A secretaria de Polícia Civil do Rio vai pedir a transferência de um dos irmãos do miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko, para presídio federal de segurança máxima fora do estado. Wallace da Silva Braga, conhecido como Batata, está preso desde o mês passado. Atualmente, ele está em Bangu 9, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.

Batata, acusado de fazer parte do grupo paramilitar que era comandado pelo irmão, foi preso em Campo Grande, na Zona Oeste, por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiasi (Draco) no dia 11 de maio. Ele foi capturado em flagrante, acusado pelos crimes de coação no curso do processo, resistência e organização criminosa.

O Disque-Denúncia oferecia R$ 1 mil por informações que levassem ao paradeiro de Batata. Segundo os policiais, Wallace resistiu à prisão, tentou tomar o fuzil de um dos policiais da Draco e fez ameaças em nome da milícia.