Operação sufoca corrupção na Receita Federal do Rio de Janeiro

Operação

O dinheiro apreendido na operação e Canal, um dos alvos da investigação/Reprodução 

Doze pessoas foram presas por suposta participação em esquema de servidores da RF que cobravam propinas para evitar multas e custos tributários

Uma operação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita Federal prendeu 11 pessoas suspeitas de participar de um esquema de servidores da Receita Federal que cobravam propinas para evitar multas e custos tributários. Foram emitidos 14 mandados de prisão, mas duas pessoas estão no exterior e uma encontra-se foragida. Inicialmente, havia 39 mandados de busca e apreensão, mas outros dois foram expedidos pela 7ª Vara da Justiça Federal do Rio, do juiz Marcelo Bretas.
Os alvos da Operação Armadeira, como foi batizada, e deflagrada ontem no Rio, são auditores-fiscais e analistas tributários e pessoas próximas a eles suspeitas de fraudes envolvendo a Receita. Dentre os presos está Marco Aurelio Canal, apontado nas investigações como chefe do esquema. O auditor fiscal é supervisor de programação da RF na Lava Jato e suspeito de cobrar propina em troca da anulação e cancelamento de multas por sonegação fiscal.

Canal recebeu R$ 4 milhões de propina
Segundo uma das delações nas quais a operação desta quarta se baseia, a de Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro), Canal recebeu R$ 4 milhões para que fosse impedida uma autuação fiscal envolvendo a entidade. Ele, que era chefe da equipe responsável por acompanhar o caso da Fetranspor, determinou o encerramento do procedimento fiscal envolvendo a entidade em junho de 2017, segundo as investigações.
A ação tinha como outros alvos: Marcial Pereira de Souza (prisão preventiva); Rildo Alves da Silva (prisão preventiva); Mônica da Costa Monteiro Souza (prisão preventiva); Sueli Monteiro Gentil (prisão preventiva); Daniel Monteiro Gentil (prisão preventiva); Elizeu da Silva Marinho (prisão preventiva); Narciso Gonçalves (prisão preventiva); José Carlos Reis Lavouras (prisão preventiva); Leônidas Pereira Quaresma (prisão temporária); João Batista da Silva (prisão temporária); Fábio dos Santos Cury (prisão temporária); Alexandre Ferrari (prisão temporária); e Fernando Barbosa (prisão temporária). Durante a ação, a PF apreendeu ao todo R$ 1,1 milhão, US$ 26.940 e 3.990 euros.

Obtenção de vantagens
Ainda de acordo com as investigações, os suspeitos tentaram obter vantagens junto aos réus da força-tarefa da Lava Jato. Ao detalhar o esquema, os órgãos envolvidos reforçaram em diversos momentos que os servidores não participavam diretamente das investigações da força-tarefa da Lava Jato no Rio. A atuação se restringia a calcular fatos tributários descobertos pelos investigadores depois que essas informações já haviam se tornado públicas.

Fonte: G1

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