Novo ministro da Saúde diz que meta é vacinar 1 milhão por dia

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante coletiva no Palácio do Planalto/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em sua primeira entrevista como novo ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga, afirmou ontem que a principal meta do governo é vacinar 1 milhão de pessoas por dia contra Covid-19. “O compromisso número um do nosso governo é com a implementação de uma forte campanha de vacinação”, disse.

Com base em números da sua pasta, Queiroga afirmou que atualmente são aplicadas cerca de 300 mil doses por dia: a meta de mais de três vezes superior. Dados do consórcio de veículos de imprensa apontam que nos últimos sete dias foram aplicadas uma média de 421,2 mil doses por dia.

Segundo Queiroga, a meta deve ser atingida em um “curto prazo”, entretanto, o ministro não especificou quais medidas serão tomadas para atingi-la e nem estabeleceu um prazo específico. Ele disse que “temos condições de vacinar muitas pessoas”, citando o PNI (Programa Nacional de Imunizações). E falou que é determinação expressa do presidente Jair Bolsonaro ampliar o número de vacinação.

Em sintonia com o presidente
A fala de Queiroga está em consonância com o que disse Bolsonaro em seu pronunciamento na noite da última terça-feira em cadeia nacional de rádio e televisão. O presidente mudou o tom em relação à pandemia e disse que 2021 será o “ano da vacinação”.

Ainda segundo Queiroga, o Brasil é o quinto país que mais aplicou doses de Covid-19 no mundo. Ele lembrou que o número é absoluto e não considera o tamanho da população. Mas, ao se comparar o número de doses aplicadas e o total de habitantes, há quase 60 nações na frente do Brasil.

Medidas sanitárias eficientes
Posteriormente, ao ser perguntado sobre a possibilidade de decreto de lockdown, o ministro defendeu que sejam adotadas “medidas sanitárias eficientes” para evitar que não seja necessário fazer o lockdown. Lembrou que as melhores políticas de distanciamento social serão avaliadas por um comitê especializado que será liderado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Números ‘mascarados’
O ministro da Saúde afirmou que não partiu dele a ordem para modificação na forma que a pasta contabiliza os casos da Covid-19. Novas exigências, já anuladas pelo ministério, fizeram as mortes diárias em São Paulo, por exemplo, despencar de 1.021 para 201 nesta quarta-feira.

“Eu não sou maquiador, eu sou médico. Minha função não é maquiagem, é salvar vidas. Precisamos criar um ambiente novo, de harmonia”, afirmou, ao ser questionado em coletiva de imprensa sobre a alteração.

Queiroga evitou responder diretamente se a alteração permaneceria, mas a pasta divulgou nota recuando da medida de exigir preenchimento obrigatório de alguns campos de identificação — número do CPF ou o número do Cartão Nacional do SUS — para notificar dados de casos e óbitos. “A medida foi realizada após solicitação do Conass e Conasems pela ausência de comunicado aos estados e municípios em tempo oportuno”, diz a nota.