MP e Draco prendem policiais ligados a maior milícia do RJ

A Justiça expediu 11 mandados de prisão contra os investigados

Armas, fardas e dinheiro foram encontrados na casa de Badaró, segurança do miliciano/Divulgação

Garça ou PQD, segue ‘desaparecido’/Reprodução

Uma rede de servidores públicos ligados ao miliciano Francisco Anderson da Silva Costa, o Garça ou PQD, foi desarticulada hoje (20) numa ação conjunta do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas).

A Justiça expediu 11 mandados de prisão e sete pessoas foram presas. Entre os alvos, além de Garça, há um tenente, um capitão e um sargento PM; além de seis policiais penais. Um miliciano, sem cargo público, também é procurado. Um mandado de busca e apreensão é realizado na casa de uma
delegada, casada com um policial penal: o nome dele consta em um mandado de prisão preventiva.. Um arsenal foi encontrado com um policial que recebia o miliciano Garça em casa.

Os presos 

Foram presos os agentes penitenciários André Guedes Benício Batalha, Alcimar Badaró Jacques, Ismael de Farias Santo, Wesley José dos Santos e Carlos Eduardo de Souza. Também foram realizadas as prisões do capitão da PM Pedro Augusto Nunes Barbosa e do tenente Matheus Henrique Dias França.

As investigações começaram em fevereiro do ano passado quando, em outra operação para tentar prender Garça, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, cinco celulares foram apreendidos. Após análise dos dados, com autorização judicial, conversas via aplicativo de mensagem entre os servidores e o criminoso foram identificadas. Continua após a publicidade Garça, que está desaparecido desde junho do ano passado, supostamente tendo sido morto pelos próprios milicianos, dava presentes como blusas personalizadas, almoços e propinas; em troca, recebia segurança privada dos agentes e informações de bancos de dados sigilosos. Garça é ligado à quadrilha de Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, a maior milícia estadual.

Na casa do policial penal Alcimar Badaró Jacques, os agentes encontraram pelo menos cinco pistolas, uma arma longa e grande quantia em dinheiro.

Agentes penitenciários recebiam presentes, como blusas, do miliciano Garça e enviavam fotos pra o bandido/Reprodução

Homem de confiança de Ecko

Apontado como homem de confiança de Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto em confronto com a Polícia Civil em 12 de junho de 2021, o paramilitar Francisco Anderson da Silva Costa, o Garça, tinha como forma de retribuição (após receber informações privilegiadas) enviar como agradecimento blusas personalizadas a servidores públicos, principalmente agentes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), que haviam sido cooptados pela quadrilha e pedir fotos com eles as vestindo. De acordo com os investigadores, era uma forma do criminoso ter em seu poder provas de que havia “recrutado um exército” e de que eles usavam a “camisa-uniforme” da quadrilha. Imagens do celular do paramilitar revelaram essa investida.

De acordo com a investigação, no dia 9 de fevereiro do ano passado, Garça enviou uma blusa com o símbolo do Serviço de Operações Especiais (SOE ) para o policial penal Edson da Silva Souza. O agente agradeceu e disse que “adorou a camisa”. Edson é um dos alvos da operação e está com mandado de prisão ainda em aberto. Na mesma data, ele recebeu mais uma camiseta com o símbolo do Grupo de Intervenção Tática da SEAP (GIT).

Garça, então, pede uma foto, e diz: “Se tú puder, cara… se tú puder, manda a foto… manda a foto aí pra mim, pra eu vê como é que fico. Precisa botar teu rosto não, mané. Eu gosto de vê como é que ficou, que eu já pedi outras, pra daqui a três meses, que é lá do Ceará. Eu vou pedir mais reforçada no abdômen e no peito, entendeu? Pra ficar um negócio tipo…negócio tipo armadura, vai ficar brabo!”. Souza, então, envia uma imagem. De acordo com os diálogos, os agentes Ismael de Farias Santos e Alcimar Badaró Jacques, o Badá, também teriam recebido o presente. Os dois foram presos durante a operação nesta sexta-feira. (com informações do Extra)