Divisão de Homicídios acha celular que pode ser de sequestrador de ônibus

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O aparelho que pode ser do sequestrador que teria planejado toda a ação, antes de embarcar no ônibus do Galo Branco/Polícia Civil/Divulgação

Delegacia de Homicídios acredita que Willian Augusto agiu sozinho. O aparelho tem as características do que estavam com o criminoso, segundo o depoimento das vítimas

A Delegacia de Homicídios da Capital (DH) afirma ter encontrado o celular do homem que sequestrou 39 pessoas num ônibus na Ponte Rio-Niterói na última terça-feira e acabou morto por atiradores de elite do Batalhão de Operações Especiais Policiais (Bope).
De acordo com informações, todos os pertences dos passageiros foram devolvidos e restou um aparelho. Com base no depoimento das vítimas, o telefone tem as características do celular que estavam com Willian Augusto da Silva. O celular, que estava bloqueado com senha, foi enviado a um laboratório na tentativa de ter acesso aos dados. Os investigadores esperam, com o telefone do criminoso, entender o que o motivou a tomar o coletivo e sobretudo se agiu sozinho.
O corpo do sequestrador está no Instituto Médico-Legal. A perícia inicial mostrou que disparos de atiradores de elite do Bope causaram ferimentos no braço, no antebraço, na perna e no tórax.

Família disse que ele ouvia vozes
Segundo familiares, Willian era um rapaz introvertido e de poucos amigos. Eles começaram a notar mudanças em seu comportamento. Em janeiro deste ano, durante um churrasco, ele teve um surto psicótico. Disse que se sentia deprimido, que estava sofrendo muito e que ouvia “vozes dentro da cabeça”.
A partir de então, passou a beber muito. E também ficava a maior parte do tempo usando um celular para navegar pela internet. Apesar do comportamento que não condizia com a normalidade, o rapaz não chegou a receber atendimento médico. Poucas horas antes de ser morto com seis tiros disparados por um sniper do Bope, Willian enviou uma mensagem para os pais, avisando que iria acabar com a própria vida.

Ação planejada com antecedência
Para a DH, não há dúvida de que toda a ação foi planejada com bastante antecedência por Willian. Por volta das 5h, ele chegou ao ponto final do ônibus 2520, em Alcântara (São Gonçalo), e entregou ao motorista uma nota de R$ 20. Recebeu o troco de R$ 10,85 sem falar nada. Numa mochila, carregava todo o material que iria usar durante o sequestro — a réplica de uma pistola, uma arma de choque, garrafas PET cortadas para acondicionar gasolina, barbante, um isqueiro e um livro, “O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio”, do escritor Charles Bukowski.

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