Cabral vira réu pela nona vez na Lava Jato

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O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro aceitou hoje mais uma denúncia contra o ex-governador do estado Sérgio Cabral e mais nove pessoas no âmbito da Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato. Com esta medida, Cabral torna-se réu pela nona vez, acusado nessa denúncia pelos crimes de corrupção ativa e esquema de pagamento de propina.

Nesta quarta-feira, o ex-governador, preso desde novembro do ano passado, será interrogado por Bretas.

A nova denúncia oferecida pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro cita esquema de pagamento de propina envolvendo a empreiteira Carioca Christiani-Nielsen, em contratos milionários das obras do Arco Metropolitano, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Favelas e da Linha 4 do metrô. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) é resultado das investigações das Operações Calicute, Eficiência e Tolypeutes e das colaborações premiadas celebradas com executivos da empreiteira.

Segundo o MPF, a organização criminosa atuou em diversas contratações do estado do Rio de Janeiro entre os anos de 2008 e 2014, tendo sido estruturada para que o ex-governador Sérgio Cabral recebesse uma “mesada” de até R$ 500 mil por mês da empreiteira Carioca Engenharia.

O esquema de “mesada” paga pela Carioca Engenharia a Cabral entre março de 2008 e abril de 2014 foi acertado em reunião entre o então secretário de governo Wilson Carlos e diretores da empreiteira, em um restaurante no centro do Rio. Pelo acordo, o governador passou a receber R$ 200 mil por mês. Em contrapartida, a empreiteira tinha a garantia dos contratos de obras que estavam prestes a serem contratadas com o estado do Rio de Janeiro. O valor das “contribuições” deveria ser calculado de acordo com o percentual de 5% do faturamento das obras.

Em 2011, no segundo mandato de Cabral, o secretário Wilson Carlos voltou a se reunir com os executivos da Carioca Engenharia. Como o volume de contratos com a empreiteira havia aumentado muito, o valor da propina acertada passou de R$ 200 mil para R$ 500 mil mensais.

Já entre julho de 2010 e abril de 2014, a organização criminosa recebeu uma “mesada” de 1% do faturamento dos contratos firmados pela Carioca Engenharia, a título de taxa de oxigênio, que era controlada pelo secretário de Obras à época, Hudson Braga.

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