Bombeiros estimam cerca de 200 desaparecidos após barragem se romper em Brumadinho

O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, cujos donos são a Vale a anglo-australiana BHP, causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. Inicialmente, a mineradora havia afirmado que duas barragens haviam se rompido, de Fundão e Santarém. No dia 16 de novembro, a Samarco confirmou que apenas a barragem de Fundão se rompeu.
Local: Distrito de Bento Rodrigues, Município de Mariana, Minas Gerais.

Foto: Rogério Alves/TV Senado

O Corpo de Bombeiros informou no final da tarde de ontem (25) que aproximadamente 200 pessoas estavam desaparecidas após o rompimento da Barragem da Mina Feijão, em Brumadinho (MG). A estrutura, que pertence à Vale, liberou no meio ambiente um volume ainda desconhecido de rejeitos de mineração.
O Hospital João XXIII, instituição pública vinculada ao estado de Minas Gerais e sediada em Belo Horizonte, acionou um plano de atendimento para múltiplas vítimas de catástrofes. Até o início da noite de ontem, a instituição confirmou a chegada de duas pacientes, de helicóptero.
Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que o Sistema de Comando de Operações (SCO) está estruturado no Centro Social do Córrego do Feijão, em Brumadinho. “Vários órgãos, principalmente de segurança pública, estiveram no local em reunião para definir as estratégias de atendimento”, disse a nota publicada.
Ao lado do Centro Social do Córrego do Feijão, há um campo de futebol que está sendo usado como área de avaliação e triagem das vítimas para atendimento médico, além de estacionamento de viaturas. Também foi estruturado um posto para arrecadação de alimento na Faculdade Asa de Brumadinho.
O Corpo de Bombeiros informou que está atuando com 51 militares, e que contam ainda com seis aeronaves.
O Corpo de Bombeiro alerta os órgãos de imprensa, que estão utilizando drones, pois estariam atrapalhando o sobrevoo das aeronaves da corporação. “As aeronaves estão resgatando inúmeras pessoas ilhadas em diversos pontos a todo momento”.

Municípios vizinhos a Brumadinho  divulgam alertas à população

As prefeituras de municípios vizinhos a Brumadinho e cortados pelo Rio Paraopeba alertaram a população sobre o risco de uma súbita elevação do nível da água e recomendaram que as pessoas se afastem do rio. Além disso, as autoridades municipais já se mobilizam para enfrentar eventuais impactos que o rompimento da barragem na Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale pode causar.
Em Mário Campos, cidade vizinha a Brumadinho, moradores de três bairros (Reta 1; Funil e Campo Verde) localizados às margens do rio estão sendo orientados a deixar suas casas preventivamente. Segundo a procuradora municipal, Patrícia Natália Elias, policiais militares percorreram os bairros alertando sobre o risco da súbita elevação do nível d´água.
De acordo com a procuradora, a Escola Municipal Antônio Pinheiro Diniz (a Escola da Praça), na região central, está sendo preparada para receber quem tenha que deixar sua casa e não tenha para onde ir.
“Já temos muitos munícipes manifestando intenção de se abrigar na Escola da Praça. Fomos avisados pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil de que o risco de algo pior acontecer aqui no município é pequeno, mas que estes três bairros podem ser atingidos. Estamos trabalhando preventivamente e estaremos preparados caso necessário”, disse a procuradora municipal à Agência Brasil.
Além da preocupação com os moradores dos três bairros, a prefeitura usou as redes sociais e os veículos de comunicação locais para alertar a população, em geral, a não acessar o leito do Rio Paraopeba “de forma alguma”. Agentes da Defesa Civil estão monitorando o rio e, de acordo com Patrícia, até o momento, os dejetos e a lama que chegaram ao curso d´água após o rompimento da barragem não atingiram os limites de Mário Campos. A água que a população deste município consome é captada no Paraopeba.
Outras cidades
Outras cidades mais distantes, a jusante do rio, também emitiram alertas para a população. A prefeitura de Juatuba divulgou um comunicado nas redes sociais e meios de comunicação locais conclamando a população a estar atenta. “Não se aproximem [do Rio Paraopeba]. Não é possível precisar o volume de água, portanto, não queiram ver de perto. Todos devem se afastar.”
Seguindo o curso do rio, a prefeitura de Pará de Minas também alertou as pessoas para que não fiquem às margens do rio. “Há a possibilidade de o nível da água subir repentinamente”, avisa a nota da prefeitura, garantindo que “está trabalhando para manter o abastecimento da cidade e que tomará as medidas necessárias para não causar transtornos à população”.
A prefeitura de São Joaquim de Bicas instruiu a população que vive às margens do Rio Paraopeba a evacuar a área por medida de segurança. O município de Juatuba, que limita com Brumadinho, também emitiu alerta aos moradores do bairro Francelinos, por onde também passa o manancial.
O prefeito de Betim, Vittorio Medioli, divulgou um vídeo nas redes sociais e pediu atenção aos riscos de inundação. “Preste atenção para poder evacuar as casas caso as coisas fiquem muito sérias”, recomenda Medioli no vídeo.

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